Blog do Cb Adilson

domingo, 21 de fevereiro de 2010

É Uma Ordem! "Deixai Toda Esperança..."




Deixai toda esperança, ó vós que aqui entrais!




E assim está escrito na entrada do Inferno, onde Dante, na Divina Comédia, relata sua jornada. Quanto mais tempo Dante permanece e se aprofunda no Inferno, mais e mais as misérias humanas lhe são apresentadas de forma pitoresca.


Dante passa pelos vários círculos do inferno, onde os pecados (e pecadores) se mostram cada vez piores, à medida que ele entra. Ele vê a luxúria, a gula, os irados, os soberbos, os violentos, os aduladores (temos muitos desses), os embusteiros, os corruptos (também), os trapaceiros, os hipócritas, os ladrões e, finalmente, no local mais profundo e próximo do próprio Lúcifer, os traidores...



Infelizmente, essa visão terrível do inferno de Dante, é o que grande parte dos policiais honestos que conheço visualizam na Polícia. Sentem, como eu também sinto, que ao adentrar pelas "portas do inferno", deveriam ter cumprido o que lá estava escrito, e deveriam ter abandonado toda a esperança. E que, ao abandonar toda a esperança que tínhamos, termos a consciência e aceitarmos que quanto mais permanecêssemos e nos aprofundássemos, mais estaríamos próximos a Lucifer e seus pecados e pecadores.


Porém, felizmente, alguns não abandonam a esperança. Alguns ainda lutam para fazer a diferença e não deixam que os pecados e pecadores os modifiquem. Insistentemente eles se mantém de pé, contra todas as forças que os tentam derrubar.


Durante a jornada ao inferno assistimos alguns que conseguem, através de seus próprios méritos, sair daquele lugar e subir aos céus (talvez o purgatório também não seja tão mau). Hoje ouvi o relato emocionado de um conhecido, Oficial, com a voz embargada em lágrimas, dizendo que o sonho de seu pai, que é Praça reformado da PM, e depois o dele, era o de ser um Oficial da Polícia Militar. Que hoje, depois de ter caminhado pelo inferno durante vários anos, sem ter abandonado as esperanças como se determinava na porta que passamos juntos, finalmente desistiu de ser policial militar.


As palavras dele, repito, embargadas pelas lágrimas, foram exatamente que: "Eles conseguiram destruir o sonho da minha vida e a do meu pai. Hoje eu só quero sair daqui".


Essa é a Polícia do Rio de Janeiro. Esses são os homens e mulheres de bem que temos nela, e que não querem mais ficar.


Triste? Talvez. Mas mais triste é o fim dos outros. Os que obedeceram no começo e abandonaram as esperanças. Esses nunca sairão, nunca se postarão contrários. Eles permanecerão, durante muito tempo, sem reclamar, sem questionar, sem se importar, somente adentrando nos círculos do inferno.





Triste fim é o deles.
Extraido do blog do capitão Luiz Alexandre do Rio de Janeiro

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